E mesmo em meio ao calor primaveril, nesse período se aproxima o feriado Cristão do Dia de Finados, que representa um momento de recolhimento, de resgate às lembranças dos ancestrais que partiram e de reflexão sobre o processo da morte. Acaba então sendo Primavera lá fora e Inverno dentro de nós.
Para os Pagãos do Norte é Samhain, o festival em que o véu entre os mundos é mais tênue, em que se honra o legado daqueles que estiveram antes sobre o corpo da Grande Mãe. Para os Pagãos do Sul é Beltane, o auge da Primavera, o momento onde o Sol realça todo o seu poder e força fertilizadora. A Deusa Terra está enfeitada com o colorido das flores.
Torna-se impossível, portanto, permanecer alheios à dualidade presente nesta época do ano. Mesmo no Hemisfério Sul estamos em contato freqüente com os velhos costumes nortistas arraigados em nossa cultura ocidental. Papai Noel, símbolo do Natal, está envolvido pela idéia do clima gelado, pelas roupas de frio, pela neve. E no “nosso” Natal as roupas são leves, há festejos e danças, há o calor e a alegria de quem está em expansão, como o Sol antes do Verão.
É possível concluir, então, que o nosso planeta vive numa constante dualidade: Oriente/Ocidente; Norte/Sul; morte/vida; frio/calor e assim continuamente. Experimentamos essa realidade fora e dentro de nós durante todo o tempo e é possível perceber a sua interdepedência. O médium James Van Praagh diz que “o exterior é um espelho do interior”. E negar uma polaridade é negar a outra por conseqüência.
A filosofia do Taoísmo aborda esse tema com particularidade. Diz-se que “o conceito chinês de Yin e Yang representa a idéia de que o mundo é um todo e que esse todo é o resultado da união contraditória de dois princípios, o yin e o yang.” Contudo, “cada fenômeno pode pertencer ao Yin ou ao Yang, mas dentro dele há a semente da fase contrária.”
Portanto, esta é a hora de comungar a egrégora do silêncio, enquanto notamos as centelhas de luz chegar de fora para dentro de nós. É momento de celebrar o inverno da morte na esperança do renascer da primavera, percebendo o ciclo imortal da transformação.
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PRAAGH, James Van. Conversando com os Espíritos. Tradução Luiz Antônio Aguiar. Rio de Janeiro: Sextante, 1998.
Yin Yang. Disponível em: www.escoladafamilia.sp.gov.br/lienchi/yineyang.doc